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Seminário sobre Darwin debate teorias sobre a evolução. Muito se fala do Design Inteligente (DI), mas pouco se sabe a respeito. Em parte pelas dificuldades acadêmicas e em parte pela mídia especializada. Segundo o doutor Paul Nelson é preciso ter em mente os limites da ciência e também desfazer a confusão e Nelson é filósofo da Biologia, especializado em biologia do desenvolvimento. Tem um PhD em Filosofia pela Universidade de Chicago. Sua tese foi publicada como um livro pela Universidade de Chicago onde ele tece uma crítica a aspectos da teoria da macro evolução à luz dos desenvolvimentos mais recentes na embriologia e da biologia do desenvolvimento. É membro da International Society for Complexity, Information and Design (Sociedade Internacional para a Complexidade, Informação e Design) e do Centro de Ciências e Cultura do Discovery Institute e ainda é autor de vários artigos científicos em revistas especializadas. E durante o II Simpósio Internacional Darwinismo Hoje, ele concedeu entrevista ao Inove.
Inove: Não é difícil hoje você ser cientista sem ser darwinista na academia?
Doutor Paul Nelson: Se alguém for estudante de Biologia, há forças fazendo com que seja um darwinista. E isso, a meu ver, é uma consequência da própria estrutura da ciência. Eu incentivo meus alunos a estudar e conhecer muito bem a teoria da evolução, porque essa é a teoria mais aceita pelos biólogos. Mas também, para manter a liberdade acadêmica deles. A liberdade acadêmica deles é que permitirá que a ciência avance.
Inove: Existe na academia uma pressão intelectual para que as pessoas sejam evolucionistas-darwinistas?
Nelson: É verdade que muitos biólogos aceitam, pelo menos em grande parte, vários aspectos do darwinismo. Mas bons biólogos têm chegado à conclusão de que a teoria da evolução tem bastante problemas e eles estão buscando alternativas.
Inove: A mídia especializada e científica seria, por acaso, corresponsável por isso?
Nelson: A mídia científica faz suas reportagens baseada nas informações prestadas por muitos cientistas. Mas existem bons jornalistas que são de fato independentes. A Susan Mazur, de Nova Iorque, é uma dessas jornalistas. Se você der uma busca simples no Google pelo nome dela, verá vários artigos a respeito das dificuldades que a teoria da evolução tem enfrentado. E ela identificou os mesmos pontos levantados por você aqui.
Inove: Qual é, basicamente, a diferença entre o DI e o Criacionismo, pois muitos têm ambos como se fossem a mesma coisa. é que muita gente que gostaria de conhecer o DI tem medo de abraçá-lo por que seria algo não científico.
Nelson: Primeiro vamos à diferença entre DI e Criacionismo. O Criacionismo é pegar dados científicos e tentar reconciliar com os dados da Bíblia. E muitas organizações criacionistas pedem que aqueles que se juntam a elas assinem um termo doutrinário. O DI é algo muito mais simples: nenhuma declaração de fé é exigida. O DI simplesmente pergunta se a ciência é capaz de encontrar esses sinais de inteligência na natureza. Uma pessoa, seja ela budista, hindu ou até atéia, pode trabalhar com o DI enquanto concordar que seja possível descobrir sinais de inteligência. Quanto à segunda parte da sua pergunta, eu acho que muitos cientistas estão temerosos a respeito das coisas que eles vêem do criacionismo, porque muitos consideram que a religião tem servido de obstáculo para impedir o avanço do conhecimento científico. O grande desafio para nós do DI é tentar remover esse temor dessas pessoas. E eventos como esse simpósio ajudam a retirar esse temor. Esse tipo de evento pode fazer com que a troca de ideias aconteça.
Inove: O senhor não acha que impera um cientificismo, onde tudo que não é "testado em laboratório" não é verdade?
Nelson: Isso é realmente um problema. Por tudo o que foi discutido aqui, ficou muito claro que a ciência não tem resposta para todas as coisas. Se você olhar a lista dos professores do Mackenzie, o número de professores da área de ciências naturais é muito menor que da área de ciências humanas, porque a esfera de conhecimento humano não se limita às ciências naturais, mas abrange outras ciências.
Juliana Fragetti - 28 / 04 / 2009
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